quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Polpe-me


Eu sou do tipo maduro,
Que nem manga amarela.
Broto no alto, perto do céu.
Dispenso as verdinhas. Azedas.
Cheias de frescuras e acidez.

Mas tenho tempo durável,
Por isso aproveite! Enquanto sou amável.
Suba às alturas e me pegue jeitoso.
Me corte, divida. Deguste meu gosto.
Sou doce do tempo. Saboroso.

Caso contrário, me solto de ti.
Perco as estribeiras, caio para o chão.
Viro adubo na terra. Nasço outra vez,
Em outros pomares, tomares e amares.
E você verde de coração.

Douglas Ibanez
(11.11.2015 - 17h54)





segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Erótico

Um homicídio é executado. Eu sinto. Na pele. Brevemente no agora, a sanidade vem sendo estrangulada. Uma língua intrusa lhe preenche a garganta. Sedução que sufoca. Engasga com o desejo. Pede uma permissão sem resposta, com carícias sobre arrepios. Ah, os arrepios. Eles têm me revelado negativas falsificadas, que sussurram algumas vontades presas antes do toque acontecer.

Os movimentos uniformes, aqueles da física quântica, ou clássica, tanto faz, continuam por uma busca sem força que os impeça de inspecionar cada detalhe. Isso é importante: ser detalhista. Virginianos. Sempre observando com os olhos ao redor do corpo. Só esperando outro para que fique cego de corpo inteiro, mente inteira!

Apocalipse em chamas. Negras, por falar nisso. Segredo oculto no silêncio daquela noite. Mas as sombras são companheiras de assassinato, principalmente quando se trata de mim que estou morrendo. Morro lentamente. Minha vontade de gritar é intensa, daquelas de desespero traiçoeiro. Um prazer único na impossibilidade do som. 

As paredes têm ouvidos... e como têm. Assim como eu tenho também. Mas não escuto, só sinto. Uma ordem por meio do vento solto, toca minha orelha. Eu sei que quer mais. Outro vento. Uma ventania. Jogo a toalha e liberto os espíritos. Uma luxúria me atinge sem pretensão de qualquer objetivo. Meus olhos piscam. Entrelaço nossas pernas. Os pés se encontram em igualdade, querendo fazer parte do calor de dentro. Eles querem convidar o esquisito para a ceia e botar o íntimo à mesa.

Sinto cheiro do suor brotando pelos instintos. Pedindo socorro por uma saborosa morte entre doses maneiradas de selvageria. O controle é necessário. Se o mundo acorda, a vida volta a fazer sentido. Não! Eu quero o controle direcionando a tensão, tomando conta da alma em uma perfuração perfeita. Sem sofrimento. O mundo não deve nos ouvir agora. Eu sei, eu sei. o perigo é risonho. Eu também sou em momentos como este, bebendo a taça de enlouquecimento mantido.

Eu quero gritar. O quadril também. Os joelhos nem se fala! Têm convidado curiosos que não existem para uma sessão privativa. Mas se existissem... o que fariam?

Estou nadando em lençóis. Sem roupas, sem água. Entre amor e colisão. Que morte contraditória! Não peça. Continue. Sem arrependimentos tardios. Quero uma súplica de adeus quando encontro o paraíso, ainda acontecendo em estocadas tensas, secretas e, como em toda noite duradoura, no controle. O serviço acaba em uma cama molhada, os corpos vazios. 

Sem cerimônia, devolvo vento para onde soprou. Lambuzo os lábios que ainda seduz. Beijo a testa em prova daquilo. Me encaixo. Um último suspiro. E morro mais um pouco, até a manhã seguinte, quando as sombras terão ido embora levando fotografias de uma insanidade privada. Provas do assassinato do lógico e do que se diz ser moral. Eu sinto... eu ainda sinto.

Douglas Ibanez
(14.01.2015 - 02h51)






terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Colapso Singelo

Hoje a noite é de lua fria,
Enquanto a poesia não vem.

Ela sussurra nos meus ouvidos,
Sentimentos sortidos.
Deleites do bem querer.

E eu escuto com a sobriedade,
De um sábio de mileanos,
Uma doçura em sua canção.

Para entender em outro dia,
Que a alegria é bem-vinda,
Sem muita satisfação.

Douglas Ibanez
(24.11.2014 - 16h34)



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Boca Suja

Eu carrego aquela metáfora que você desconhece. Ele me desperta para um submundo caótico, onde escrevo sobre perfeitinhas maneiras de se dizer a mesma coisa. Nele se percorre círculos contínuos.

Uma festa recém aplaudida de angústia! É hora... é hora... é hora de morder a sua calda. Você me lê como arte traduzida do esquisito, que se transporta na penumbra para brotar nas retas tortas de uma folha de caderno.

Este é o meu xingamento, repleto de aberrações e palavrões boquiabertos. Sorria! E continue sem saber de sua decadência.

Douglas Ibanez
(16.10.2014 - 22h49)




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Consequências da Alma


Celebrada coroação de uma alma preenchida pela arte. Seu corpo é mármore para infinitas memórias poetizadas, em rascunhos caligrafados.

São curvas trabalhadas em uma tatuagem a finco - que desenham significados expressos na expressão do respirar. Sejam bem-vindas palavras cantadas às margens ultrapassadas por elaborados passos de dançarinos, sem limites para a rebeldia.

Despontam ao longo da pele. Criações murmurando o sopro de vida que carrega todo um descompreender, que se banca entendido quando se fecha a janelas e pinta no escuro.


Douglas Ibanez
(09.10.2014 - 08h48)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ménage à Trois

Venha Desespero, dê sua mão!
Dançaremos a noite inteira.
Cinco oitavas de um tango permanente,
Que ruboriza com uma errônea sedução.
Que situação!

Jogue fora esta rosa, ela cheira a sangue.
Chame seu amigo! Medo, junte-se a nós.
Somos três sentidos, três sorrisos, três perdidos.
Um ménage de alcoólatras!
Me sinto um indecente.

Troquemos de música.
Quero salsa! Talvez um Tchá Tchá Tchá.
Cinco, seis, sete e oito! Beije meu pescoço.
Está vendo esta lágrima?
Está sentindo meu sofrimento lhe aquecer o corpo?

Noventa notas de uma noitada cantada.
Uma orgia de alegria!
São corpos que me invadem em um recinto assistido.
Sorria Dor, toque meu corpo. Beba meu suor.
Seu voyeurismo me incomoda.

Não observe, participe.
Me prove, me encante. Me faça gemer.
Estou destruído por dentro, pegue um pedaço!
Sou de vocês nesta cama, nesta sombra.
Dance. Transe. Me alimente por agora.

Douglas Ibanez
(06.11.2014 - 12h01)



sábado, 11 de outubro de 2014

Mitologias


Poseidon esbraveja das profundezas do oceano. Seu tridente direciona o que o desespero enfrenta. Milésimas gotas cintilam o ondular do grito, submergido em pressão mitológica, contrariando as leis da inércia.

O bater retorna bravo. O mar levanta em combustão histérica. Verdades que molham, após anos de dramaturgia, e gargalham na face do que já quase se desintegrou.

O maremoto surge na garganta de um deus grego, feito por si mesmo, sob o máximo de controle. Mas uma hora a fúria escapa, despedaça o mundo e então tudo pode começar de novo.

Douglas Ibanez
(10.10.2014 - 18h29)