quinta-feira, 12 de março de 2015

Dançando


Aprendi com a dança a ter asas nos pés.
Cada movimento é uma graça divina,
Uma cantoria de palmas que ninguém vê.
É a alegria dos anjos naquilo que crê.

Giro em penas brancas que nascem tortas.
A luz me atinge em pequenos segundos,
De um contratempo inspirado no refletido mundo,
Que me faz voar em melodias do além.

Douglas Ibanez
(04.03.2015 - 12h59)









quarta-feira, 4 de março de 2015

Portfólio de Elefante


Enxergo agora a necessidade de proteger cada memória que um dia se desenvolveu. Pequenas notas de rodapé, ajoelhadas em frente ao longo texto que seguiu em frente. Um livro sendo escrito em páginas apressadas, que quando soltas transformam desenhos em animações, em um roteiro de suas próprias palavras sortidas. Letras caem. Pulam linha a fora. O clichê não para: o que passou, passou.

Mas tentam tomar o que correu no rio. Águas escuras, pontilhadas de estrelas que se revoltam e nadam no sentido contrário. Um cobertor obscuro de um Setembro falante. Fotografias molhadas perambulam à luz de velas, narrando histórias que se afogaram correnteza a dentro. São crianças sorrindo do preto e branco da alma, brincando com o sépia do tempo. Meu caro, este é o maior desafio do colorido da vida. Repentino, no melhor estilo Polaroid de ser.

Preciso salvar meu aconchego. Transformar o leito em poeira de cima do armário, soprada para longe em uma história em quadrinhos. Sou elefante galante, com resquícios que ninguém vai tirar. Mediunidade elegante, de sutileza marcante, que ninguém deve enxergar. Me lembro de tudo que já senti e das margens que já molhei. Não há espaços para mentiras, de sua terra que jamais toquei.

Douglas Ibanez
(03.03.2015 - 19h48)



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Cantiga de Ninar


E a chuva molha a poesia.
Um velar do sono que não dormiu.
São gotas vidradas de um vento raivoso, que já partiu.
Quebra o desejo de sonhos leves,
Sopra para depois o que se feriu.

Chove lá fora.
Chove aqui dentro.
Segue chovendo o azul anil.


Douglas Ibanez
(12.02.2015 - 12h57)



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Polpe-me


Eu sou do tipo maduro,
Que nem manga amarela.
Broto no alto, perto do céu.
Dispenso as verdinhas. Azedas.
Cheias de frescuras e acidez.

Mas tenho tempo durável,
Por isso aproveite! Enquanto sou amável.
Suba às alturas e me pegue jeitoso.
Me corte, divida. Deguste meu gosto.
Sou doce do tempo. Saboroso.

Caso contrário, me solto de ti.
Perco as estribeiras, caio para o chão.
Viro adubo na terra. Nasço outra vez,
Em outros pomares, tomares e amares.
E você verde de coração.

Douglas Ibanez
(11.11.2015 - 17h54)





segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Erótico

Um homicídio é executado. Eu sinto. Na pele. Brevemente no agora, a sanidade vem sendo estrangulada. Uma língua intrusa lhe preenche a garganta. Sedução que sufoca. Engasga com o desejo. Pede uma permissão sem resposta, com carícias sobre arrepios. Ah, os arrepios. Eles têm me revelado negativas falsificadas, que sussurram algumas vontades presas antes do toque acontecer.

Os movimentos uniformes, aqueles da física quântica, ou clássica, tanto faz, continuam por uma busca sem força que os impeça de inspecionar cada detalhe. Isso é importante: ser detalhista. Virginianos. Sempre observando com os olhos ao redor do corpo. Só esperando outro para que fique cego de corpo inteiro, mente inteira!

Apocalipse em chamas. Negras, por falar nisso. Segredo oculto no silêncio daquela noite. Mas as sombras são companheiras de assassinato, principalmente quando se trata de mim que estou morrendo. Morro lentamente. Minha vontade de gritar é intensa, daquelas de desespero traiçoeiro. Um prazer único na impossibilidade do som. 

As paredes têm ouvidos... e como têm. Assim como eu tenho também. Mas não escuto, só sinto. Uma ordem por meio do vento solto, toca minha orelha. Eu sei que quer mais. Outro vento. Uma ventania. Jogo a toalha e liberto os espíritos. Uma luxúria me atinge sem pretensão de qualquer objetivo. Meus olhos piscam. Entrelaço nossas pernas. Os pés se encontram em igualdade, querendo fazer parte do calor de dentro. Eles querem convidar o esquisito para a ceia e botar o íntimo à mesa.

Sinto cheiro do suor brotando pelos instintos. Pedindo socorro por uma saborosa morte entre doses maneiradas de selvageria. O controle é necessário. Se o mundo acorda, a vida volta a fazer sentido. Não! Eu quero o controle direcionando a tensão, tomando conta da alma em uma perfuração perfeita. Sem sofrimento. O mundo não deve nos ouvir agora. Eu sei, eu sei. o perigo é risonho. Eu também sou em momentos como este, bebendo a taça de enlouquecimento mantido.

Eu quero gritar. O quadril também. Os joelhos nem se fala! Têm convidado curiosos que não existem para uma sessão privativa. Mas se existissem... o que fariam?

Estou nadando em lençóis. Sem roupas, sem água. Entre amor e colisão. Que morte contraditória! Não peça. Continue. Sem arrependimentos tardios. Quero uma súplica de adeus quando encontro o paraíso, ainda acontecendo em estocadas tensas, secretas e, como em toda noite duradoura, no controle. O serviço acaba em uma cama molhada, os corpos vazios. 

Sem cerimônia, devolvo vento para onde soprou. Lambuzo os lábios que ainda seduz. Beijo a testa em prova daquilo. Me encaixo. Um último suspiro. E morro mais um pouco, até a manhã seguinte, quando as sombras terão ido embora levando fotografias de uma insanidade privada. Provas do assassinato do lógico e do que se diz ser moral. Eu sinto... eu ainda sinto.

Douglas Ibanez
(14.01.2015 - 02h51)






terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Colapso Singelo

Hoje a noite é de lua fria,
Enquanto a poesia não vem.

Ela sussurra nos meus ouvidos,
Sentimentos sortidos.
Deleites do bem querer.

E eu escuto com a sobriedade,
De um sábio de mileanos,
Uma doçura em sua canção.

Para entender em outro dia,
Que a alegria é bem-vinda,
Sem muita satisfação.

Douglas Ibanez
(24.11.2014 - 16h34)



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Boca Suja

Eu carrego aquela metáfora que você desconhece. Ele me desperta para um submundo caótico, onde escrevo sobre perfeitinhas maneiras de se dizer a mesma coisa. Nele se percorre círculos contínuos.

Uma festa recém aplaudida de angústia! É hora... é hora... é hora de morder a sua calda. Você me lê como arte traduzida do esquisito, que se transporta na penumbra para brotar nas retas tortas de uma folha de caderno.

Este é o meu xingamento, repleto de aberrações e palavrões boquiabertos. Sorria! E continue sem saber de sua decadência.

Douglas Ibanez
(16.10.2014 - 22h49)