segunda-feira, 22 de junho de 2015

Doces Fantasmas


São doces fantasmas
Através das sombras.
Que me encontram na luz
Me olhando do espelho.

São doces fantasmas
Que me abrem janelas.
Invadem minha mente,
Personificando passados.

São doces fantasmas
Me sugando a esperança.
Escurecem meu céu
Em uma melancolia nervosa.

São doces fantasmas
Que brincam no escuro,
De uma ladeira sem fundo
Na qual desço sem freio.

São doces fantasmas
Que amamento no seio.
Desobedeço minha ordem,
Causando a desordem!

São doces fantasmas
Sem berço ou apreço.
Eles dançam a vitória
E me abraçam no adeus.

Douglas Ibanez
(11.05.2015 - 11h47)

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Preguiças e Ursos


Hoje eu tenho observado pela janela.
Há frio do lado de fora.
O que me faz lembrar
De quando nevava aqui dentro.

Era o medo coberto de pedra:
Escuro como a meia-noite,
Com uma teatral máscara branca
Desesperadamente risonha. Tristonha.

Eu o sentia com aquela presença.
O gelo que lhe sugava os sonhos - apagava os olhos.
Uma barulhenta besta que gritava em danças.
Suicídios sensuais.

Porém agora temos um lar,
Com paredes acolchoadas
Em braços e abraços.
Um casulo.

Uma lareira eternamente acesa
Em um coração que ainda bate.
São duas metades de dois inteiros,
Que se tornam quatro quando estão juntos.

Me viro e desviro.
Te encontro tranquilo,
Olhando o medo olhando de volta.
Sua íris quebrada.

Feche os olhos.
Me beije em silêncio.
Segundos eternos.
Mi casa, su casa.

Douglas Ibanez
(02.06.2015 - 14h15)
Feliz Dia dos Namorados!



terça-feira, 2 de junho de 2015

A vela, o copo e a escuridão


Sua chama brilha
De olhos fechados.
Sentada no muro,
De joelhos imundos,
Pedindo perdão.

Tudo em volta circula,
Pressiona o artifício.
Tem volta.
Dá voltas.
Se vidra em sacrifício.

Uma sub existência de física consentida.
Alegrias desafiadas.
Rachaduras desiludidas.
Um sopro que lhe apaga,
Sobretudo propaga
A vida.

Douglas Ibanez
(02.06.2015 - 13h26)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Agora


Sou um anjo de asas castanhas, cuja cor se tingiu de laranja por vanguardas criativas que o tempo já não conseguia guardar. Foi-se o tédio maroto. Um míope teimoso que enxerga o horizonte sem muito esperar. 

São suaves toques de perfeição, que perduram meus anos descritos nas rugas que a poeira cobriu. O alienado de um mundo, que me observa do muro que nunca existiu. Sou caído. Vivido. Floresci aos horrores. Viajei entre mentes que jamais despertaram, mas que continuam carentes do sol que se veste com poesias do leste que o céu escreveu. 

Encontrei no futuro meu passado perdido: um pequeno menino que do dia nasceu. Foram horas comuns de três penas singelas, totalmente despertas do alheio ao meu eu. Hoje broto em alegria percebendo a bondade, que grita vontades que outrora neguei. Chorei minha verdade que se esconde em meu fora. Ele se chama "O Agora" de um anjo feliz.

Douglas Ibanez
(14.05.2015 - 19h25)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Abortos do Caos


Existe um glossário de egos difícil de identificar. Presentes em um aquário de ferro, com restos de cérebro, que um dia deixou de brincar. São peças que submergem com criaturas do pântano, um banho de óleo. Sem cura. Sem pranto.
 
Onde está a humildade que demora a se definir? Permanece no fundo, de olhos vermelhos. Com tristeza no sono e clitóris ferido, que nunca deixa de parir. São gritos de socorro, que nascem já mortos em meio a agonia.

São aquelas criaturas que teimam em se olhar no reflexo d'água preso ao matar. São milhares de anos que teimam em cair, sem sorte na queda - morrendo com o sorrir. Um adeus aos nascidos de fonte incerta, já que o inferno é uma festa de orgulho a partir.

Douglas Ibanez
(15.04.2015 - 19h11)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Estas Coisas

Existe uma coisa embrenhada em meu corpo,
Que surge do caos que banha meus ossos.
Ela nasce da terra regada à amargura,
De uma mente brilhante que ninguém escutou.

Explodindo ouvidos de um grito de guerra,
Pisoteando o enterro que se sucedeu.
Ela escreve poemas de uma tarde vazia,
Voltada ao nascer de uma coisa qualquer.

Douglas Ibanez
(13.03.2015 - 12h12)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Grito Contemporâneo


São sete batidas de um coração mal humorado, que marcam o passo de uma coreografia repetitiva. O ponteiro, girando em sete, direciona um horário de exposição artística. São sete horas. São sete segundos. Sete momentos para refletir meu universo transbordando de memórias, que sofrem tentativas de latrocínio todos os dias, como disse mês passado. Retrasado. Desastrado. Me leia! Seu atrasado, como sempre.

Poxa vida, como é estar agora? Pergunta a alma toda aos tapas, que embala melodias desencarnadas por aí. Ninguém escuta. O corpo age em forma do que passou sem preocupação.

Tenho dissertado sobre atualizações do destino, válidas às sombras que teimam em me perseguir. Passadas de anjo em um sonho explorado. Um desespero da ira, que gargalha graves sons de insanidade, com os olhos girando em órbita. Sete vezes.

Este é um pedido de socorro para ser ouvido. Um espetacular murmúrio de asas ao vento, comprido e enrolado, dentro de uma garrafa de vidro. Soletrando canções. Descobrindo meninos. Corações partidos. Colaborações rítmicas que se encaixam muito bem. Ao chão me entrego. Obrigado.

Douglas Ibanez
(19.04.2015 - 01h)