Eu sou o espectador do meu próprio eu. Sou aquele que enxerga além de minha pele elástica e de minha carne dura, funcionando radioativamente para encontrar o escondido.
Sou meu psicólogo, minha cartomante, sou o jornalista que me informa e me conta o que há dentro de mim.
As vezes me espanto como pode uma vida ser assim tão assistida? Então percebo estou assistindo-a novamente.
Existem dois de mim neste momento, aquele que pensa no escrito e o torna real e aquele que olha e julga o quão real se tornou tal pensamento flutuante e enevoado.
A razão controla a emoção. O sentimento controla o que é correto. E assim as duas vivem parasitando uma a outra chorando a separação não entendendo a unificação.
O Belo jardim amanhece e ao longo do dia se entristece. A Inveja toma conta da alma, invade e obscurece desde a mais bela rosa até o mais enrugado cravo. Tudo parece ser desejado, mas apenas pouco é invejado, somente aquilo que todos buscam, e que nunca é encontrado, pois não conseguem olhar ao seu redor, como faz o Girassol que gira, gira e gira em busca da luz que lhe ilumina e quando consegue enxergá-la pede com humildade e fé que possa seguí-la.
Minha vida é o constante medo de viver. Medo de acertar. Medo de não estar de sentí-lo de cheirá-lo. Medo de degustar o gosto do medo. Medo de se afogar nos prazeres medonhos do medo. Medo de tê-lo. Medo de querê-lo. Medo do medo. O medo.
Cadê? Onde está o vermelho? O Carmim? A Flor morreu, foi morta, cortada, quebrada, e sua cor, aquilo que de mais belo tinha, sangrou e apenas o negro do luto continuou...
CABEÇA ANUVIADA
Como eu queria... adoraria ver corvos saindo de minha cabeça e vê-los dançar em meus cabelos... talvez toda aquela negritude iria embora tudo aquilo que pensei, não penserei mais ou então alguma pena ou algum ovo continue.. e faça brotar lá dentro tudo o que já voou... mas pelo menos a lembrança ficou, para que eu posa dizer que, pelo menos uma vez... eu vi, o vôo dos corvos...
Sinto saudade do branco inexistente estampado em cada sorriso em cada rosto lavado pelas águas de manhã.
Sinto saudade do preto leitoso do luto no qual cada um de nós usamos todas as noites como uma manta esperando.. esperando.. esperando....
Sinto saudade de olhar para frente e ver nada mais além do que apenas o desconhecido o horizonte perdido aquilo que meus olhos não podem ver mas que minha alma pode inventar.
Sinto saudade do choro noturno do cão sem dono que uiva todas as noites pedindo abrigo do frio da chuva do trovão e da trovoada fugindo da solidão tentando amizade carinho de tudo que é diferente dele mas igual para ele...
Sinto saudade de algo que não sei o que é talvez nem sinta saudade talvez sinta saudade da saudade talvez eu tenha inventado tudo o sofrimento inexistente que existe.
Sinto saudade de mim de você de coisas das lembranças que fazem ela vir a saudade... que saudade?
"Danço pelado e assim continuo nascendo. Morrendo do medo
de me vestir, sem rir. E partir."
Hoje eu tenho 29 - velhos e novos. Amanhã é outro papo! Jornalista, teacher, dançarino e escrevendo. E ringleader!
(why not?) O sonhador ainda sonha... afinal, sonhar não custa nada, não é mesmo?