terça-feira, 23 de abril de 2013

Aquarela

It hurts to be Purple

O vermelho, de tanto apanhar do azul, brotou roxo. 
O calor se misturou à frieza, gelo que tingiu o sangue de um degustável púrpura sabor uva que lambia os extremos lábios dos radicais térmicos. 

But I'll never be the Blue

À hipotermia não hei de me render, peço socorro ao interno fogo de sorriso ardente. Me queime como uma chama inocente de manhã nua e permita-me caminhar entre a escuridão e o clarear de meu rubro.
Sorry, but I'm Red

domingo, 21 de abril de 2013

Figura de Linguagem

Num mundo em que se caminha entre a simpatia do latente eufemismo às chamativas hipérboles de explosão crônica, é perigoso viver a vida no metafórico equilíbrio cotidiano. Figuras lhe sussurram aos ouvidos palavras de tentação, linguagem perdida ao eco de uma cacofonia mal dita. Socorro, grita o paradoxo que um dia prestou ajuda, chora-te na alegria do viver o hoje, enquanto sorri observando a ironia do sofrimento certo, aquele que chegará, passará e um dia te lembrará da antítese infiltrada nas artérias semânticas de nossa vida.


domingo, 17 de março de 2013

Inomináveis


Às vezes tenho sentimentos,
Estranhos por natureza, confesso,
Que me fazem questionar se deveriam realmente existir,
Duvidando não somente de sua certeza
Mas também de suas reais intenções.

Eles são inomináveis,
Inexistentes em sua veracidade,
Incognitivos de uma mesma equação.
Que se equaliza no mesmo vago oportuno, 
De uma história sem fim.

Douglas Ibanez

sábado, 19 de janeiro de 2013

Desejo de Criança


Pai, quero aquele avião super à jato que você me prometeu e não me deu. Quero poder voar com ele para contar as estrelas do céu, descobrir quantos seres há na Terra e quantos fora dela. Quero enxergar o universo, ainda que ele possa não existir. Quero descobrir qual mundo gira com a gente, qual galáxia brinca entre nós.

Pai, estou querendo aquela bicicleta que não ganhei ano passado. Sem ela não tem como, não vai dar. Preciso de rodas para poder sair de casa, quero conhecer, o tudo desbravar. Sei que perigoso pode ser, mas não se preocupe estarei bem, sou ninja desde criança, sei lutar karatê. Pare de me olhar desse jeito, ou te mostro quem aqui é bebê. Tenho espadas de baixo da cama e lasers para dar e vender.

Pai, quando vai me dar aquela garota que eu tanto quis? Por favor, nada de Rosa espinhada, eu quero é Flor de Liz. Confesso que não sei como tocá-la, tenho medo de desmanchá-la, como posso cheirar sem machucá-la? No fundo não consigo entender sua profundeza, é muita loucura para tanta  delicadeza. Garotas são estranhas, prefiro minha bola, mas não consigo deixar de pensar nela, em mim ela sempre se enrola.

Pai, preciso daquele carro que o senhor disse que me daria, assim que 18 eu completaria. Tenho muito o que levar, não tenho tempo a esperar, por isso não me deixe nervoso, estou ficando ansioso. Quanto antes eu partir, mais cedo vou voltar, com uma gata a garantir e um sorriso de agradar. Não se preocupe, não correrei, apenas vou-me indo. O tempo, a pressa, a juventude me consumindo. Para o sempre viverei.

Filho, onde está a vida que me prometeu trazer de volta? Aquela que saiu hoje mais cedo, com meu carro, sem meu freio e nunca mais voltou do nada. Preciso dela para respirar o meu passado, ser eu me parece uma tortura. Fecho os olhos neste instante, oro a Deus pedindo ajuda. Um porquê de sua ida, um perdão por sua partida. Consigo vê-lo ao meu alcance, me lembro de ter a minha altura, um sorriso de menino, uma alma de romance. 

Vá meu filho, conte as estrelas de seu universo por mim, pedale pelas linhas desconhecidas encontrando pétalas a serem compreendidas no fim. Um fim que não existe, nunca existiu, mas que aspiro em conhecê-lo desde o momento em que você para sempre partiu. 

Douglas Ibanez



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Homem Velho, Velho Homem


Me dê a sua mão. Entregue sua sabedoria para minha inteligência perdida escolher entre o um e o dois nonsense de uma equação sortida qualquer. Mostre-me o caminho para minha própria face desfigurada pelo tempo que passei caminhando em jardins perigosos de alguns vizinhos que me atiraram pedras, sem eu nem mesmo merecê-las.

Sorria para mim. Quero ver todo tipo de verdade que existe em sua franja que teimam em cortar quando está crescida. Sua dança me faz querer dançar. Sobrevoando seus espontâneos dizeres de simplicidade única, desentendida por tantos e todos. Gire. Me jogue de sua janela de tanta felicidade explosiva de um coração puro. Me abrace. 

Meu velho homem, proteja minha pobre criança alada. A faça viver eternamente dentro de sua gargalhada melódica de mil tons de alegria colorida de vida. Quero que me guie por meu espetáculo sem plateia. Amo os dois.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Love


Virginianos sabem quando é amor quando cada centímetro do corpo da tal pessoa amada se torna um fascínio inexistente. Um jogo de sobrevivência onde o que sobra é apenas o sufocar de não saber mais onde procurar por algo sem nome que persistimos em nomear de amor. Sabemos desta existência na vontade de querer estar dentro do outro, de dividir uma só alma e esquentá-la dentro de um só corpo. Amor é 
o sentimento de ser outra pessoa mesmo ainda sendo você mesmo, protegendo-a do mal como uma auto-proteção. Amar o outro se torna seu amor-próprio. E honestamente, não importa se você é virginiano, ariano, aquariano ou qualquer outro tipo de variação zodiacal, porque isso é humano, é divino, é o melhor de se viver nesse mundo









sábado, 7 de julho de 2012

We Found Love


Achamos amor em um lugar sem esperança alguma. Quando ao olhar para o buraco mais profundo em nossa alma perdida, descobrimos o desesperador vazio de um nada sem vontade de sorrir.

Achamos amor em um lugar sem luz à brilhar. Perceptíveis verdades ao nosso redor gritando nos tímpanos as emoções que não queremos ouvir. A angústia nos beira à insanidade. Vontades que nos brotam da pele. Desejo não acontecido de vozes que nos infiltram a mente sem paz.

Achamos amor em um lugar sem vida crescente. O negrume de uma tristeza após a outra que nos condena à falta de alegria de um cotidiano desumano. Bocas tortas no lugar de sorrisos internos. Perseguir o viver não fazia mais sentido, apenas o chorar era libertador.

Achamos amor em um lugar desaparecido. No fechar dos olhos que buscamos por anos em amargura. Música que gira ao nosso redor contando uma única história em segundos que passam. A respiração celebra o momento. Sentimento que surge no beijo de apenas dois.

Paixão destruidora de lados. Construídoras de vidas. Memorando memórias. Evoluindo ao som da melodia que me irradia. Descubro que a flor pode nascer no asfalto velho. A lágrima evaporar no ar distinto. E que o amor é encontrado num lugar sem esperança, gritando para ser abraçado. Vivendo para ser vivido.

Eu há de vivê-lo.