quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Elemental


Labareda de fogo,
Que lambe meu solo, 
De terra molhada 
E teor ardente.

Seque minha fonte,
De vida útil. 
Tornando ao pó 
O que brota de mim.

Infiltra-me, 
De sua obscuridão risonha, 
Que cuido como um fruto,
Gerado ao silêncio do desespero.

Terremotos de água. 
Fuja! 
A fúria explode,
Em minha força nascente.

Sou da terra regada à certezas, 
Enfrentando incêndios do de repente.

De repente queima, 
De repente cinzas.

Quem sou eu?

Douglas Ibanez

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Literatura do Nosso

Escreva seu nome em meu coração, narrando histórias fictícias de uma realidade inventada por uma mente que dança ao som da luz do meio dia, irradiando um calor permanente de fogo mortal.
 
Seja o autor de seu próprio desastre emotivo, transcrito na ponta de uma fina pena envelhecida por tinta escura de material perdido. Brinque com as palavras como brinca com a desilusão.
 
Equilíbrio derretido em sete espelhos azarados, quebrados em anos de sorte, refletindo o ruído da retribuição amarga que tarda a chegar em uma agonia destoante dos contos contados. Mergulhos à fantasia enlouquecida.
 
Sopre minha alma como ontem escolheu, entrelaçando laços deslaçados de um quadro abstrato de efeito anestésico, sem forma, sem permissão, apenas pulsando vivo como uma chama desrespeitosa que toma conta do infinito.
 
Feche os olhos. Dedilhando em minha pele uma profecia de portas abertas. Perdido na escuridão que enxergo, deitado entre luz e perdição. Escreva sua vida na minha, rasurando uma caligrafia desgonexa de paladar exótico.
 
Morte e Vida na literatura do nosso.

Douglas Ibanez
(02/10/2013 - 11h33)
 
 

domingo, 29 de setembro de 2013

Vida

Quanto mais tento me acostumar com a vida,
Mais vejo o quanto é impossível realizar este feito.
São décadas presas dentro de dois minutos.
Séculos agoniados em um segundo.

Não existe uma descrição concisa para este ato de heroísmo,
Afinal ser herói é mais do que necessário nessa guerra diária,
Onde os monstros são criados dentro de nossas cabeças.
Suas ações nos destroem por nossas próprias escolhas.

Morrer sem ter vivido é uma ironia à beira da verdade,
Uma hipocrisia que só percebemos quando o fim acontece.
Na realidade nem percebemos o ocorrido deste fato,
Mas fazem questão de lembrar por nós,
Esfregar no rosto o quanto se deixou para trás.

Deste modo, para se viver não existe fórmula,
Muito menos equação.
A vida é mais uma literatura do que propriamente uma fração.
Mas some aquilo que precise e multiplique o que realmente se quer.
Viva apenas por viver. Pois a vida chama vida e não se chama de porquê.

Douglas Ibanez


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Ás de Espadas

Baralho inexplicável de doçura incontrolável cheia daquilo que respiro em um jogo aparentemente eterno, sem proteção para a maldade que se forma em um líquido negro lentamente mortal.

Resguardo o Às de Copas de minha cartola, buscando bater uma partida que nunca foi perdida, nunca foi jogada, jamais desmentida, imaculada. Vermelho tingido do amor, brotado da luxúria derrubada, reencontrada, questionando seu verdadeiro paradeiro e destino.

Minha raiva se alimenta deste veneno auto injetável, por olhos tapados para fora, mas atentos à memória alheia. Estou brincando com o fogo que emana de meus dedos como um vulcão em constante erupção marítima. Afogamento em um ferver aquático. Morte instantânea de um sentimento indigno.

Sinto o mal dilatando minhas pupilas. Caminhos pelo qual ele pode ultrapassar a atmosfera do lógico, aceitando morrer para encontrar a vida. Ódio na bondade. Socorro ausente de emoções e desespero, a brasa busca por comida, rasgar a pele, pedindo ajuda, explodindo em compaixão por si mesmo, que nunca existiu.

O Ás de Espadas pende pelo destino sobre a hipocrisia de escolhas malditas, benditas a mim, detestável por todos. Meus olhos lhe caçam, destroem sua bondade, abençoam meu veneno próprio, cumprimentando o ininteligível enquanto deflora um passado desesperado por atenção. 

Venha gemer em meu ouvido, será seu último suspiro de vida.
Ódio, grita meu mal.

Douglas Ibanez
(17.09.2013 - 19h20)



domingo, 1 de setembro de 2013

Desabafo

Sangra tua ira que fora violentada outrora. Gritai de desespero futuro incerto de presente certeiro. O laço se desfaz, tempo corre sem sorrir. Qual será o amanhã de um gorgolejar de águas profundas? Perturbai o meu sono que de calmaria não deixava adoecer. Viver o agora do amor perfeito, da parede quebrada e do sacrilégio inacabado. Deixar morrer o que é mortal, antes que estrague a imortalidade da natureza sóbria, embebecida pela saudade tênue, do coração suave.

Douglas Ibanez

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Conta Gotas

Gota,
Que conta a gota,
Com o conta gotas,
Da gota que conta,
A outra gota contada.
Contar.
Contar.
Contar.
Sem gota, sem conta.
O oceano transborda
Incontáveis gotas.
Conte.

Douglas Ibanez
22.02.2013 - 11h19


terça-feira, 23 de julho de 2013

Chova-se

Se você entra na chuva, é fato que irá se molhar. Claro que é de sua liberdade e direito abrir um guarda-chuva, mas acredite, algumas gotas irão respingar na barra da sua calça. Portanto, se quer entrar na chuva, saiba do que pode acontecer, a água não vai parar de cair por sua causa, pois existem outras pessoas dançando sob ela e isso é mais incrível do que permanecer seco.

Douglas Ibanez