segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Ascendente


Uma linha que se divide,
Em um limite que inexiste.
Com a fúria de um pavio curto
Ao se enforcar no escuro.

Douglas Ibanez
(12.11.2015 - 19h11)


 


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Desmar


São as mesmas pessoas
me rodando no parque.
Me oferecendo o mesmo
que o de ontem.
E o desontem.

Brincam da mesma cilada,
terminada em farpas.
E desenham na areia
o que o mar não quer ver.
O desmar.

Douglas Ibanez
(25.11.2015 - 23h24)



 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Absorto


O caos me soca aos ouvidos um urro de agouro que me faz arrepiar. É a sentença de morte da paz que aqui vive. Meus vizinhos me espantam em uma fúria de intrigas. Soluçam seus prantos em mantos sem forma, que se aproximam e sorriem desfigurados. Eles tocam meu braço ao possuir minha garganta - um orgasmo sem eco. E ninguém escutou. Sinto cheiro do incrédulo que agonia a alma em um chute sem metas. Não há objetivos em uma anarquia de horrores. O terror me acerta e me xinga de "trouxa". Prova de mim. Me derrota com gosto. Lambe meu rosto em um gozo sem jeito, profundo e profano. Sou devorado por dentro. Uma cadeia de trevas - circular e alheio. Eu furo manchado em passageiras suturas. O monstro se agita, me pega e balança. Encontra a saída, mas antes me beija, me arqueja e cospe em minha cara promessas de um retorno surpresa.

Douglas Ibanez
(12.11.2015 - 19h31)







segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Enigma Sazonal


Olho o espelho,
te vejo sorrindo.
Me culpo sem culpa,
sem boas-vindas.

Continuo olhando, agora
sua expressão corporal.
Ela fala comigo, certeza,
mas é dúbia - um tabuleiro.

Não entendo.
O silêncio bate o martelo
e minha filosofia funciona.
Há algo que eu sei que há.

Como te chamo?
Uma distância levemente gelada,
sem perigos de voos quaisquer.
Isso te serve? Protege?

Sem abraço, mas o sentido me diz.
Aquele sexto que te é de orgulho.
Eu também tenho: detalhes,
uma colcha de retina bem aberta.

Minutos - tudo passa.
Me revejo e questiono,
só penso, nada mais.
Devolvo no beijo um mistério de cada vez.

Douglas Ibanez
(18.11.2015 - 00h30)
 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Tarô


Sente no muro,
me olhe - me diz!
Estou navio no escuro,
sem diretriz.

Percorre meu corpo?
Labirinto sem céu.
Me encontra na mente,
uma estrela cadente - sem calda e ao léu.

Tenho lido cartas
que o destino me tira,
eles riem sem jeito - sem cara!
E me contam mentiras - mentiras.

Douglas Ibanez
(11.11.2015 - 0h33)


 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Choro


Rego a planta que nasce podre, 
de raízes incertas e difundidas.  

 Grito o plano que me acerta em cheio, 
sem paciência para hematomas. 

 Vejo o lustre que se apaga ilustre, 
repleto de ideias que se foram sem ir. 

 Conto uma história nascida torta, 
que me tampa as visões de uma verdade vivida.


Douglas Ibanez
(26.10.2015 - 1h07)


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Entre Aspas


Existe tanta coisa a ser dita em um depoimento que jamais foi escrito. Não vejo motivos para impedir o que sinto, muito menos em gritar minha fúria em ecos que o vazio leva. Não há respostas. O ar se agita em uma linha que fura a barreira do som e agrava a sombra que emerge em euforia. Culpo os astros que mapeiam a angustia - um jogo de planetas de gude em aposta alta. Perco o respeito e uma noite de sono. Onde mora a dignidade em um sussurro de insônia? Quero eu desbravar meu vácuo, sem memórias de um aquário sem vida. Onde há água, há esperança. Mesmo sendo uma ilusão descrita em etapas, entre aspas, voando em asas à decepção.

Douglas Ibanez
(06.11.2015 - 22h22)