segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Desmemorial


Quando o menino segura círculos congelados, ele carrega o mundo nos braços, de uma maneira que somente ele desconhece. Há o gostinho do velho na boca, que se derrete com a língua salivando o que já aconteceu. Sem rodeios, nem claras expectativas sobre o passado. Não existe motivo: desmemorial. E do que era sem jeito, apareceu o capaz de ditar regras automáticas em uma escrita automática, após decisões manuais de um lugar que somente o guri parecia saber. Continua nevando uma tempestade... permanece chovendo água do céu. Não há história para sentir desta vez.

Douglas Ibanez
(11.11.2016 - 3h16)


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Um solo


Te espero deitado,
de pernas abertas,
contando detalhes
sobre meu corpo nu.

Divido meu dia nos lábios,
silenciando a vontade
de continuar a história,
morta sem saber que viveu.

Em conversas da noite,
são meus arrepios que dizem
gemidos que nunca direi
de olhos abertos.

Eu mordo sua boca
enquanto preencho a alma,
entregue ao meu colo
que continua dançando.

Te fodo no hoje,
em promessa,
que amanhã eu retorno,
porque de você eu preciso.

E deixo escrito,
meus desejos de te fazer,
como erros perfeitos
que continuo criando.

Um oceano
me enxarca de você.
O gosto me permite,
enquanto eu apenas recito.

Adeus e a poesia se vai,
deixando perdida
a minha orgia só sua.
Peregrina, mutável e residente.

Douglas Ibanez
(09.10.2016 - 1h46)




domingo, 6 de novembro de 2016

Colateralmente


Desenho dois arcos em suas sobrancelhas, à noite. É no meio do nada que escuto, calado, o que não sai de você. Deixo meus rastros em suas pálpebras, que permanecem fechadas. Eu gosto. 

Suspiro sem entender e apesar de meu pesar não parecer tão interessante, no momento, me encosto na aura, que teimo em criar, e revelo palavras antigas - estranhamente bonitas - que nem eu sabia conhecer.

Se posso tocar, porque não o faço? Encosto nos lábios o poder que os olhos me dão e me deleito com a alegria imensa de universos que se colidem rapidamente. 

É um tipo de inocência que me prende em um sorriso perfeito. Paro de respirar. Rabisco o mesmo rosto e tento me desvencilhar: não posso. E a energia segue. 

Eu cuido, e descuido, em uma porção de alguma coisa que desconheço, mas que eu prefiro dizer que quero - preciso - reconhecer. Sigo, em detalhes. Quem sabe?

Douglas Ibanez
(23.09.2016 - 03h06)





sábado, 8 de outubro de 2016

Sommomenta


Gosto na boca daquele carinho que me conta detalhes, quando a chuva já caiu do lado de fora. Consigo dizer meia dúzia de palavras, com olhos que observam constelações que não quero nomear. Para quê? Então, escuto a emoção percorrendo meu corpo, em um abraço gostoso, não obstante choroso, que me diverte em um tipo de saudade de um momento que ainda acontece.

Eu sinto segundos, em gotas, se esvaindo de mim.  Não quero ir. Eu quero sorrir, seriamente satisfeito em tocar um olhar que gargalha de volta e me conta as graças que só ele sabe enxergar em mim. Sem ar. Todas as coisas tendem a ser formais demais para quem sou agora. Sou fraco. Levanto meus braços e me entrego ao acaso. 

Estou lendo nossa história em beijos que se tornaram brechas do espaço-tempo e escorrem por entre meus dedos, sem que eu consiga pegar. Mas preciso? Na verdade, eu desisto. Prometo reaver minha vida depois que as horas baterem na porta, pois agora eu me perco, e me enrosco, nas nuances que as peles descrevem, sobre aqueles que foram e não estão mais aqui. De novo, meu. Mais um pedaço, uma lágrima e a palavra, de que fique aqui todos os dias.

Douglas Ibanez
(02.09.2016 - 02h08)


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Continua?


São tantos escritos que nunca foram, assim como as coisas que resolvem pensar, sobre o que vem depois das cortinas. Olho para o céu e ele se torna um tecido alaranjado, com manchas azuis que não contam a verdade, se são boas ou ruins. Só vejo costuras que ligam qualquer coisa, me sentindo perdido ali no meio. 

Douglas Ibanez
(03.08.2016 - 1h17)


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Supernova


Um cobertor de letras que me aquece de noite. Eu o costuro nos olhos, na tentativa, e enxergo estrelas que querem ser vistas, mas ficam vermelhas com o irracional medo do que ainda não aconteceu. Se me lambuzo no veludo do céu, eu encontro palavras que me abraçam nos sonhos e descrevem abstrações que o interrogativo tenta desviar. Eu me viro de lado e tento dormir.

Douglas Ibanez
(02.07.2016 - 2h38)


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sobre Sopros


Eu penso em qualquer coisa que me tire o sossego. Nenhum intervalo de tempo é garantia de que a alegria esteja na esquina. Entendo os passos dados com cautela, sem me importar muito com o que ainda estar por vir, mas eu me questiono e me encontro, fazendo o mesmo e o mesmo, de novo. São como perguntas de areia: eu sopro e elas partem para longe, sem me dizerem o destino, ou se voltam qualquer hora.

Douglas Ibanez
(25.06.2016 - 00h33)