sexta-feira, 10 de março de 2017

Valentine


Um milhão de margaridas para ver você sorrir, em um segundo de espera quando o ar vem do avesso - um recomeço - sem saber onde vai dar. 

Então eu digo na esquina, o que não vem para depois. Vejo olhos me olhando, me sorrindo como pontos que aprendi a costurar - todos cegos, que ultraje! 

Sem contar a maresia, me ajoelho e me entrego - de relance, bem pertinho. Como disse no poema: cinco tempos sem mais nada. Só discorro as palavras - e me vivo sem deixar. 

Douglas Ibanez
(16.02.2017 - 1h17)



sábado, 4 de março de 2017

(Meus) Velhos Jargões


Tem uma gota caindo na minha cabeça.
Um universo que se esparra-lhama no chão
sob o pensamento que sede à ternura
de uma fração gelada, que ainda canta.

Goteja sobre gargarejos que se repetem, 
com formatos pacíficos de uma janela aberta.
O vento recolhe o que se perdeu por ali, 
enquanto há uma história pairando em minha memória. 

Douglas Ibanez
(23h18 - 27.02.2017)



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Canalizado


Aquela necessidade de ser dito
Por um duto sem predileção,
Com um desfecho sem fecho,
Descendo sem freio,
Regado à inspiração.

Douglas Ibanez
(29.11.2016 - 9h47)



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Tão ingrato


Só, apenas. Eu me rasuro em pedaços velhos de papel picado, que sopram sem ajuda. Um tanto ingrata essa sensação desnascida, depois de terra sobre terra e um segmento de paz. Me pego sem corpo, mexendo em memórias e combatendo o batente que é bater de frente com o desapego de um parágrafo, fadado à decepção. Escuto, me irrito - há a vontade de chorar aquilo, que de escondido se tornou próprio. Uma vez mais, apenas.

Douglas Ibanez
(30.10.2016 - 0h14)




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Me circula


Queria alguém para me ver dormir. Há um quarto de luz na sala do lado ao quarto meu que hábito - sem fonéticas, por favor. Obviedades me deixam e eu as permito que vão, sem necessidades.

Eu quero teu mar - a malemolência marota, a madrugada medida e a maledicência molhada de um amar desjulgado, melecado de reajustes, desajustado - melancólico, enquanto mero mimo desmerecido e maleável. 

Se cheira como eu te sinto: macio da cor do anil - do seio que a chuva brota e cai sobre o quarto que continua apagado. Se há nele a vontade, me perdoe, é como toco a mim mesmo querendo você. 

Douglas Ibanez
(28.01.2017 - 3h54)


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Lua Nova


Olhei para o lado e não gostei do que vi: uma esfera suja, de coração apático, lunático, e que não conseguia sacar suas ambíguas vértices - vertentes que seguiam um paradoxo estranho. Não havia motivo para sua existência e, enquanto isso, sua lama descia de maneira sistêmica, me encostando como uma criatura sem forma, ainda que geométrica, copiando os pés em pontas, que outra pessoa havia sido. Eu ainda não gostava daquilo. Era como um assunto inacabado - um tabu interpretado pela maioria, mas que ninguém conseguia ver, apesar do cheiro forte e do suor que me afogou. Estava ali, naquela hora e eu ainda não gosto.

Douglas Ibanez
(8.11.2016 - 1h2)


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Reaparece


Me canso de olhar ao redor, enquanto as folhas se desmancham sob o foco de luz. É muito estranho ter que aplaudir de perto um ruído que não permite sua existência - só que a vejo ali, sentada, com coroas de flores nas mãos. São muitos detalhes que vazaram pelas paredes, por brechas infiltradas de massa que subiu do chão, fazendo escultura com o que há de pior da gente. Eu vejo acontecimentos deitados - isolados de uma opção de experiência mútua, mas que se exprime, sem medo, em expressões renegadas pela menina dos olhos comuns - anil ou negrados, sem regras, mas sob o vislumbre terroso eu captei hoje cedo - sem medo, cansado.

Douglas Ibanez
(10.12.2016 - 1h17)