quinta-feira, 26 de março de 2009

Uma Vida Assistida

Eu sou o espectador do meu próprio eu.
Sou aquele que enxerga

além de minha pele elástica
e de minha carne dura,
funcionando radioativamente
para encontrar o escondido.

Sou meu psicólogo,
minha cartomante,
sou o jornalista que me informa e me conta
o que há dentro de mim.

As vezes me espanto
como pode uma vida
ser assim tão assistida?
Então percebo
estou assistindo-a novamente.

Existem dois de mim neste momento,
aquele que pensa no escrito
e o torna real
e aquele que olha e julga
o quão real se tornou tal pensamento
flutuante e enevoado.

A razão controla a emoção.
O sentimento controla o que é correto.
E assim as duas vivem

parasitando uma a outra
chorando a separação
não entendendo a unificação.

Douglas Ibanez

2 comentários:

jaque, jaque... disse...

Há sempre uma ligação forte entre aquilo que sentimos e o que é certo. Geralmente encontram-se em lados opostos e o eu, que no caso assiste a própria vida, fica oscilando entre esses dois polos.

Ouvi dizer que a maior parte da vida não é vivida em si, é resumida apenas a uma existência.

Rosana disse...

Entre a razão e o coração fico sempre com o coração, embora muitas vezes sei que sigo o caminho errado, mas não me arrependo. Serei assim até o final.
Adorei o seu poema. Lindo como sempre!

Beijos