quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Supernova


Um cobertor de letras que me aquece de noite. Eu o costuro nos olhos, na tentativa, e enxergo estrelas que querem ser vistas, mas ficam vermelhas com o irracional medo do que ainda não aconteceu. Se me lambuzo no veludo do céu, eu encontro palavras que me abraçam nos sonhos e descrevem abstrações que o interrogativo tenta desviar. Eu me viro de lado e tento dormir.

Douglas Ibanez
(02.07.2016 - 2h38)


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sobre Sopros


Eu penso em qualquer coisa que me tire o sossego. Nenhum intervalo de tempo é garantia de que a alegria esteja na esquina. Entendo os passos dados com cautela, sem me importar muito com o que ainda estar por vir, mas eu me questiono e me encontro, fazendo o mesmo e o mesmo, de novo. São como perguntas de areia: eu sopro e elas partem para longe, sem me dizerem o destino, ou se voltam qualquer hora.

Douglas Ibanez
(25.06.2016 - 00h33)


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Desnuvem


E quando noto, me vejo desconcentrado e me percebo desmantelado em um pensamento perdido - daqueles que não entendo e me desconcentra mais um pouco. Me desmonto - como um boneco quebrado - ao desdobrar, em três lados, uma face que alguém já bateu. Me desconserto ao lembrar dos minutos que se passaram, eu não sou mais o que fui. Desfigurado é um pensamento sem nexo, que paira nas mentes que flutuam tardias. Não há significado. É tudo sem
coerência, sem coesão. Desconexo.

Douglas Ibanez
(13.07.2016 - 23h47)
Happy birthday, Doug!


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Breu


Eu estico meu braço, a procura de uma mão estendida. São duas da madrugada e eu aqui, tentando encontrar maneiras de escrever o que quer que me venha em mente. Minha televisão já desligou sozinha: o timer estava programado para 180 minutos. Escuridão. Minha cabeça está cheia de pensamentos, ou talvez hélio seja mais condizente com a realidade da coisa. Eu flutuo para uma outra hora, com perguntas que arranham minhas paredes e me deixam louco. Perdi meu mapa e não sei como desenhar outro; como eu disse, está escuro. E se busco conforto é pelo bem maior que estabeleço em mim mesmo. O diálogo acontece, mas eu só queria calar a boca.

Douglas Ibanez
(02.07.2016 - 2h32)


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O Sangue Inglês


Cada toque é uma gota de sangue em um rio seco, cheio de memórias de ninguém, que nunca aconteceram. Mas elas são inesquecíveis. E você precisa pagar o preço, por banhar-se em águas tocadas pelo o que não mais existe. Eu bebo do cálice que se quebrou em partilha: um pedaço de mundo para cada um. Que venham as dezenas de histórias que o povo repete e repele, ao mesmo tempo, uma ínfima parte da coerência que é o pensar. E as verdades continuam correndo, sem estrutura para observação, e enquanto corre, ela escorre, discorre e morre uma morte de um toque, que se apagou novamente.

Douglas Ibanez
(02.06.2016 - 0h13)


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Brilho na Tormenta


Uma luzinha constante, na palma da mão, é um aceno distante que o momento lhe entrega. Não é cheia de brilho, contemplado em camadas... aquele desperdício que o fogo chama de si próprio. Só vejo uma cria, sem medo e sem a cina de que algo vai dar errado. 

Contraria as tendências de um mormaço inquietante, que queima a pele sem nem existir no calor do segredo - uma gritaria sussurrada no invisível. Não, essa aqui reverbera no não obstante, enquanto derrete a bondade de uma fé que o céu tirou do mundo. 

São escalas de cinza de um dia chuvoso, que não atingem a luzinha, soberana na queda de uma gota de hoje. Enquanto os olhos permanecerem abertos, há muito a ser visto em um horizonte qualquer.

Douglas Ibanez
(07.06.2016 - 00h36)


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Ego


Há um monstrinho enrolado manta, que cresce em palavras comidas, após descer pelo esôfago de quem escutou. Ele cresce todos os dias e se desmancha quando ninguém mais o chama... sem sua alimentação. Mas salienta, com atenção, que encontrou em si mesmo o centro do mundo e pede perdão por ser quem é, pois o maduro continua verde e as palavras bonitas são vomitadas para fora, como quem se preocupa, apenas, com uma digestão de vaidades regradas. Sem falas. E com uma dose retida de coesão.

Douglas Ibanez
(15.05.2016 - 23h41)