segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Reaparece


Me canso de olhar ao redor, enquanto as folhas se desmancham sob o foco de luz. É muito estranho ter que aplaudir de perto um ruído que não permite sua existência - só que a vejo ali, sentada, com coroas de flores nas mãos. São muitos detalhes que vazaram pelas paredes, por brechas infiltradas de massa que subiu do chão, fazendo escultura com o que há de pior da gente. Eu vejo acontecimentos deitados - isolados de uma opção de experiência mútua, mas que se exprime, sem medo, em expressões renegadas pela menina dos olhos comuns - anil ou negrados, sem regras, mas sob o vislumbre terroso eu captei hoje cedo - sem medo, cansado.

Douglas Ibanez
(10.12.2016 - 1h17)


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O Bom Filho


Revogado, jamais. Somente na pausa da fluidez, que continua contínua. Eu não aperto o stop, somente solidifico as estruturas, inventando outros diálogos, conversações paralelas, bastardas, mas restritamente livres de qualquer amargor. São neuras vividas, discutidas e executadas. Mas volta e meia eu retorno, carregando consumos, proibições desmontadas e novos rascunhos do que está por vir. Inspirado. Continuado, sempre.

Douglas Ibanez
(29.11.2016 - 9h36)


domingo, 1 de janeiro de 2017

E assim me vou... me fui!


Vira e mexe eu viro palavra,
Cantada com amor
Por passarinhos cor de mar,
Que brincam na estrada que o céu carrega, 
Sem margem de erro para eu voltar. 

Douglas Ibanez
(29.11.2016 - 9h26)

Feliz Ano Novo!


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Braile


Venho tentando encontrar certas palavras - meias - que soem como se fossem inteiras. Revejo figuras que me inspiram de alguma forma. É tudo tão jogado, que não entendo por onde meus palpites palpitam, a cerca de assuntos que não me tocam com a necessidade que tenho. Mas eu me cubro com alguns rascunhos, proeminentes de rasuras que costumavam riscar fatos, ao sussurrarem poesias que não queriam ser lidas. 

Que coisa: eu adoro uma boa leitura! E sem contentamentos com tão pouco, fecho os olhos, balanço as ideias, e a neve se espalha como um círculo de beleza mútua. Ainda não sei o que dizer, mas lambo o ar com os dedos cheios de significados, que me guiam para o que quero contar. Não enxergo. Eu beijo o invisível e sinto o que preciso sentir: verdades que madrugada sussurra - desorganizadas.

Douglas Ibanez
(9.10.2016 - 1h17)


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Dormido


Lá vem a fronha que me consola, dos pesadelos que ando tendo, como pedaços da lua que despencam em minha cabeça - pesados e com gosto de queijo. Eu como pelas bordas, tentando saber onde tudo vai dar, sem me dar conta que tudo já se deu em um dado de seis lados, que continua girando, enquanto eu ando para lá, para cá e para outro ligar - de pontos tortos que se conectam não tão naturalmente. Quando os olhos se fecham, eles contam, entrelinhas, o sono de outro alguém e eu escuto, como tudo na vida, a batida suave que a noite me oferece: uma alforria das quedas que me soltam para baixo, como um sonho mal dormido, que dormi horas passadas, acordado.

Douglas Ibanez
(11.11.2016 - 3h24)


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Desmemorial


Quando o menino segura círculos congelados, ele carrega o mundo nos braços, de uma maneira que somente ele desconhece. Há o gostinho do velho na boca, que se derrete com a língua salivando o que já aconteceu. Sem rodeios, nem claras expectativas sobre o passado. Não existe motivo: desmemorial. E do que era sem jeito, apareceu o capaz de ditar regras automáticas em uma escrita automática, após decisões manuais de um lugar que somente o guri parecia saber. Continua nevando uma tempestade... permanece chovendo água do céu. Não há história para sentir desta vez.

Douglas Ibanez
(11.11.2016 - 3h16)


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Um solo


Te espero deitado,
de pernas abertas,
contando detalhes
sobre meu corpo nu.

Divido meu dia nos lábios,
silenciando a vontade
de continuar a história,
morta sem saber que viveu.

Em conversas da noite,
são meus arrepios que dizem
gemidos que nunca direi
de olhos abertos.

Eu mordo sua boca
enquanto preencho a alma,
entregue ao meu colo
que continua dançando.

Te fodo no hoje,
em promessa,
que amanhã eu retorno,
porque de você eu preciso.

E deixo escrito,
meus desejos de te fazer,
como erros perfeitos
que continuo criando.

Um oceano
me enxarca de você.
O gosto me permite,
enquanto eu apenas recito.

Adeus e a poesia se vai,
deixando perdida
a minha orgia só sua.
Peregrina, mutável e residente.

Douglas Ibanez
(09.10.2016 - 1h46)