quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Craquarelando


Meus ouvidos racham.
Não gosto do que vejo.
Dou tapas na cara,
Naquilo que tenho.

Sem flores dessa minha vez.
Com medo do mundo.
Minha aquarelada
Insensatez - destes e daqueles.

Douglas Ibanez
(27.01.2018 - 3h)






segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Foi essa a educação que sua mãe lhe deu?


O que estou repetindo,
depois de anos de destruição,
abrupta como gastrite,
DESVÉRVOLA como um neologismo?

Eu invento essa palavra 
como quem dá nome aos bois:
Sandro, Jonas e Dominique,
e choro ao me lembrar.

Não gosto do que vi,
ou do que deveria escutar.
Por trás de favores do por favor,
eu fecho uma porta e jorro não-cordial.

Me deito no brejo e tomo da água.
Não gosto da cara que o sapo tem feito,
deseducado
desde sei lá. Reviro os olhos e tento de novo.

Douglas Ibanez
(27.01.2018 - 2h55)




domingo, 31 de dezembro de 2017

Lago dos Cisnes no Meio da Rua


É engraçado me vestir de branco,
como toda a paz que se desfaz
no dia seguinte ao fim do mundo.
Eu me vejo no lago e brinco com os cisnes.

Me revi em 12 dias, bem contados,
começando na mentira e repassados,
treslouquentes delinquentes,
como forma de alegria para uma noite amargurada.

Viajei para onde o frio vive - com luzinhas!
Congeladas. E lá eu encontrei o que quase
me abandonou, sem pressa para o recomeço,
em um clube de espelhos.

Eu beijei algumas coisas,
como frutas mortas da estação passada,
com gosto que beira ao agridoce do cair.
O tesão de um penhasco, mas é estranho. O que é?

Me prelimino. Sei das coisas que preciso colorir,
eu quero, eu quero, eu quero!
Tem gosto de pele, de suor macio,
somos aqueles que se ajoelham e clamam (vazio?).

Se a semente brota podre, como trava-línguas,
eu sei que poderia renascer de uma vontade,
entrar na escolaridade - me formar na vida adulta!
São os meus desejos que desejo. Amadureço e amarelo.

Sem sequelas. Danço na poça que a chuva fez,
naquela calçada em que nos jogamos.
Havia vida no esquisito transformado
e transformou! Sem forma nenhuma (...) até hoje?

Pedras soltas no meu rio, brilham,
são minhas pérolas. Mas preciso da verdade,
entregar a realidade e que saiba disso mesmo!
Violento e (foda-se!) e viva o meu momento.

Eu escrevo minha história, entre o corvo,
entre a águia - entra tudo o que se faz a festa.
Tudo é o que se resta - colorido!
E eu quero distância do que presta (inclusive dessa rima).

No último dia eu me percebo tão dourado,
entendendo que o movimento de algo que foi parado
gera as consequências de um infinito que premeditei,
sem saber de qualquer amanhã.

Tem o ruim dentro do vaso e o raso naquele oceano
tão lindo. Não foi o que dizem, mas é o que é!
Não quero quedas sem ser feliz. Se está,
que seja assim! Ou assim seja.

Douglas Ibanez
(31.12.2017 - 20h19)
Feliz Ano Novo!







sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Violência


Eu geralmente escrevo coisas
sem saber o que são.
Mas quando eu grito o que eu sei,
são maiúsculas bruscas - perfeitas.

Se rasgam como um gemido torto,
com rosto coberto por um véu cinza,
nadando em um rio de águas escuras,
como diz o meu nome.

Defloro o silêncio,
o desmancho em minhas partes,
eu mordo suas traves - canibalizo,
enfio nos buracos que eu quero estar.

E eu soco
como senão houvesse paredes.
Os ouvidos escutam, como sempre,
então toma - me torna - me ouça!

Seu maldito que escreve, sem olhos.
Só há uma boca no lugar de três,
que latem nas portas do inferno,
sugando uma grave histeria.

Me boto de bruços,
eu bebo o café.
Socorro sem frutos de um sussurro só,
bebendo de águas que se derramam vazias.

Douglas Ibanez
(19.12.2017 - 1h53)


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Uni-versos


Mesma música que eu continuo sem saber como dançar. Já criei incríveis solos de cabeça, mas há algo que eu não toco. Literal - amargurado (aos poucos tempos de uma prática difícil). 

Eu quero um colchão à meia luz. O meu corpo? Pelado e sem cuidado, rolando pelo chão enquanto dança com uma luz pequenininha - do horizonte tão distante e ainda sem tradução. O céu é sépia. 

Mas também tem aquelas cores que me gritam aos tabefes. Se espalham e dançam pelo quarto a criança ainda não crescida, adormecida - ADOLESCIDA! E cá estou me rindo torto. Colorindo sem tentar.

Eu passo pelas reverberações de tantas faces - conto dedos e durmo segurando uma bolinha ainda azul. Não entendo e nem sei se creio, mas escrevo, nesses passos, a língua a dançar. Dois complexos - meus versos.

Douglas Ibanez 
(5.12.2017 - 0h44)





quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O avesso


Me viro do avesso, enquanto troco de lado,
Revejo paisagens, moedas sortidas.
Da carne esponjosa me aparece a vontade,
Sem gotas de vida, beirando a verdade.

Eu sei que eu posso morrer mais um pouco,
Bebendo do suco que escorre sem freio,
Pelo freio, gemendo de dor,
Quebrando suas partes, de dentro para dentro.

Desviei e reviro meus olhos tão bobos,
Me jogo no fogo dos ossos quebrados.
Eu jogo de quatro e lambo seus beiços.
Cortesia da desgraça, que me morde o pescoço.

Pelo cerne da coisa que a coisa se esconde,
Com o cansaço nas veias, que tanto pulsam, 
Desgrudam do couro, no coito, e batem de novo.
Eu sinto meus cheiros: dos céu e do grosso.

Douglas Ibanez
(5.12.2017 - 0h31)




domingo, 12 de novembro de 2017

Senhora


O céu lá fora
é cor de saco 
de pão.
Desbotado na mão 

da senhora,
que volta pra casa
com a vida no chão.
Sem hora,

com as solas em brasa,
chorando a calçada 
que lhe dá o empurrão. 
Cai a sacola,

derrama o perdão.
A vergonha na gola
que aperta a alçada 
do teu coração.

Douglas Ibanez
(10.12.2017 - 0h)