quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sabor e Obsceno


Tá aí um segredo do qual eu gostaria de compartilhar: sinto sua humanidade escorregando pelos meus dedos. Enquanto isso, massageio seu interior tão regado a escolhas malandras, um mar de opções tão perto do toque. Eu molho as pontas como quem se desmancha na lava, fervendo algumas esquisitices que eu tento tentar. 

Eu aperto e deslizo. Descubro carnes batendo tão longe do certo, que não percebo a sanidade murmurando o obsceno de meu ato. Eu apenas beijo o que o corpo reverbera em minha língua: palavrões em um contorno de pele, contorcidos, sedentos e suados. 

Te pego com a palma da minha mão (com a alma da minha fome), coloco no peito, mastigo na boca - acaricio a palavra que meus olhos querem pousar na sua natureza torta. Não há poesia morta! Só tenho lambido o que permaneço, verdadeiro e com falhas ao longo do cômodo.

Douglas Ibanez
(21.6.2017 - 23h16)


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Escrito e Abstrato


Eu sou um recipiente de letras que se inspiram em ser o que são. Uma mente oca com significados que flutuam sem natureza específica: elas tocam as paredes do meu corpo, comunicando o que quero dizer - só que sem dizer. ABSTRATO e possivelmente sem rimas, mas ainda assim são poemas que eu crio aleatoriamente naquilo que você vai enxergar - sem pressa para ser verdade e com o dever cumprido ao entregar um mito chamado de EU.

Douglas Ibanez
(7.6.2017 - 3h10)