quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Silêncio e a Morte da Bezerra


Quando a mente resmunga, boa coisa não vem. Ela se mexe no berço, descobre os pescoços e chora outra vez. São gritos tão fortes que acordou a vizinha! Que berrou com o filho - verdades não ditas. E a mente ouviu e chorou mais um pouco. Tinha fome do seio que o pai não sabia lhe dar, por fatores biológicos, certamente óbvios, que só sabiam limitar. 

Uma criança recém-pintada, virando entre os lados, com sono e sem jeito. Irritado. De olhos arregalados em uma estrada no fim da cama, com todos os faróis esverdeando uma liberdade intensa e perigosa. Era o problema da ira, uma dançarina fogosa, que acordava a mente, cada vez mais chorosa.

Isso não passa. Tampouco promete parar. Mas eu a pego no colo, balanço em meu peito e a amamento no escuro de um silêncio leitoso. Brota do corpo naturalmente e me fascina sem jeito, pensando no nada e em nada - parece até gente! Que momento gostoso. Sorrio e deito (tento) de novo. 

Douglas Ibanez
(13.04.2016 - 23h58)


Um comentário:

Diego Santana disse...

Praticamente "um" Mary Alice.