quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Saturno


Do meu quintal olhei aos céus,
com anéis girando seco,
como o gelo ao meu redor.

Havia regras em sua voz,
tão grossa quanto sua paz,
que ali jazia tão tarde.

Fazia um círculo em datas,
me cobrava pelo o que me contou
e eu pelo o que nunca tive.

Me contive e o amarrei nos pulsos,
onde batia o meu coração
tão lento, parando.

Onde a vida corria
por veias redondas, grossas.
Grossas como somos grossos.

Meu saturno girando, me dizendo
que metade me abriga
e outra metade se cansa.

Que do meio me escreve,
no meio me encanta.
Sem dança, nas pernas uma trança.

No espaço o nosso espaço.
E me deve um novo laço, um amasso,
com gosto de abraço.

Douglas Ibanez
(15.08.2018 - 2h20)


3 comentários:

Unknown disse...

Que maravilhoso! Veio tão intenso, que transbordou do peito. Que lindo !!!

Paulo costa disse...

Simplesmente adorei!

Douglas Ibanez disse...

Dois lindos vocês dois!! 😍