terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Castelo Derrubado















Não sabia quem lhe era,
não deixava de olhar,
mas quando viu sua princesa
revelou a sua alteza
que um dia, sua mão iria beijar.

Sem saber por onde ia,
sem saber por onde andar,
ao seu lado a sorte lhe servia
de uma bússula invisível a indicar.

Num deserto quente e escaldante
teve um momento de moleza,
pôs na balança o certo e o inconstante
e descobriu a maior proeza,
deveria seguir a sua e do mundo a natureza.

Mergulhou por águas tão profundas,
escurecidas pelo visível e o invisível.
Do bolso um papel interessível,
escreveu um poema impossível
de palavras molhadas e tingidas
e de emoções para sempre oriundas.

Atingido pela tempestade e o tornado,
voou em qualquer uma , menos na certa direção,
caiu no chão atordoado,
com terra para todo lado
e com uma certeza, uma opinião:
Qualquer caminho era certo, se seguido de coração.

No enorme jardim de espinhos e roseiras,
diante do sépio castelo triunfal,
ouvia o canto melódico da princesa,
como seu objetivo final.

Cortando ervas e arbustos, do norte ao tropical,
encontrou ao seu enorme muro
um portão angelical e tampouco espectral,
era feito de aço duro,
madeira épica e seda sentimental.

Quando então surgiu um homem de olhos de dragão,
boca pintada de leopardo
e rugido real de um leão.
Dizendo que nem um plano bem bolado,
digno de prêmio e hombridão
poderia tirar a espada, logo fincada em seu coração.

O cavaleiro, espantado, se mostrou um enorme corajoso
tirou de sua bolsa um lenço amarelado, todo amarrotado
e lhe entregou com olhar de orgulhoso.
Uma aposta seria feita e no momento ali foi montada
se descesse acompanhado com sorriso extrondoso
viveria e iria para sempre casado,
caso não,
morreria com orgulho no peito, triste
e completamnte despreocupado.

Adentrando o mágico castelo escurecido
de vidraças estilhaçadas e com brilho colorido,
subiu as escadas como se toda sua vida coubesse em um pote,
tendo certeza que seu futuro seria um eterno dote.

Deitada na cama de dossel
estava a dormente e acordada
eterna dama empoeirada,
tilintando uma suave música de carrousel.

Com lábios e olhos tingidos a mel
um leve e doce beijo foi selado
com um valor superestimado.

Olhando a cena acabada
a donzela olhou toda risonha,
por fim a tarefa estava terminada,
e olhando toda descrente
como se fosse um beijo de leite
disse lento e calmamente:

- Óó bravo Cavaleiro,
chegue para perto
e deixe-me ver seus olhos de veleiro.
Você é forte e corajoso, muito esperto
tem grande inteligência e também fina beleza.
Mas lamento, ó Cavaleiro
não é isso que eu quero
mas obrigado desde cedo
pela a sua gentileza.

Lúdico e sem pernas para andar,
desceu a escadaria flutuando sem saber o que pensar,
nada mais valia a pena, tudo foi-se embora sussurrando
e sabendo que sua vida se tornara o mágico castelo,
e seu coração a ingrata princesa
o Cavaleiro foi-se embora em direção a sua aposta mortal,
pois essa agora, era sua única e interminável certeza.

Douglas Ibanez

5 comentários:

La Sorcière disse...

Douglas, vc sempre me surpreeende com sua versatilidade e seu domínio das palavras. Mas agora, vc se superou!!!
Que linda poesia:)
Mas fiquei pensando... essa princesa tá com uma cara de ser de verdade...

Mariane disse...

Olá amigooo... bom diaa!!!

Uauuu para sua poesia, UAU mesmo, hehehe!!! Adorei, super envolvente, você usa as palavras de uma forma única...

Bem, na sua poesia eu me indentifiquei muito, mas não com a princesa, hehehe... com o cavaleiro que arriscou tudo, lutou, persistiu e no fim a Bela Princesa nada valorizou... Meu princípe encantado que se foi tem um pouco da sua princesa! Agora pensando em tudo o que escreveu vou concordar com o comentário da Alê acima...essa princesa tá com uma cara de ser de verdade, rsrs...

Abração amigo...bom dia!!!

Rosana Ibanez disse...

Poxa Doug, fiquei com dó do Cavaleiro!! Mas a vida é assim mesmo, nem sempre conseguimos tudo que almejamos, não é mesmo??
Beijos no coração

Jaqueliny Euzébio disse...

Meo, é você mesmo que inventa essas coisas? Tem certeza? TEM MESMO CERTEZA????

Junior disse...

Muito bom, não sabia que você fazia versos também...