sábado, 8 de outubro de 2016

Sommomenta


Gosto na boca daquele carinho que me conta detalhes, quando a chuva já caiu do lado de fora. Consigo dizer meia dúzia de palavras, com olhos que observam constelações que não quero nomear. Para quê? Então, escuto a emoção percorrendo meu corpo, em um abraço gostoso, não obstante choroso, que me diverte em um tipo de saudade de um momento que ainda acontece.

Eu sinto segundos, em gotas, se esvaindo de mim.  Não quero ir. Eu quero sorrir, seriamente satisfeito em tocar um olhar que gargalha de volta e me conta as graças que só ele sabe enxergar em mim. Sem ar. Todas as coisas tendem a ser formais demais para quem sou agora. Sou fraco. Levanto meus braços e me entrego ao acaso. 

Estou lendo nossa história em beijos que se tornaram brechas do espaço-tempo e escorrem por entre meus dedos, sem que eu consiga pegar. Mas preciso? Na verdade, eu desisto. Prometo reaver minha vida depois que as horas baterem na porta, pois agora eu me perco, e me enrosco, nas nuances que as peles descrevem, sobre aqueles que foram e não estão mais aqui. De novo, meu. Mais um pedaço, uma lágrima e a palavra, de que fique aqui todos os dias.

Douglas Ibanez
(02.09.2016 - 02h08)


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Continua?


São tantos escritos que nunca foram, assim como as coisas que resolvem pensar, sobre o que vem depois das cortinas. Olho para o céu e ele se torna um tecido alaranjado, com manchas azuis que não contam a verdade, se são boas ou ruins. Só vejo costuras que ligam qualquer coisa, me sentindo perdido ali no meio. 

Douglas Ibanez
(03.08.2016 - 1h17)


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Supernova


Um cobertor de letras que me aquece de noite. Eu o costuro nos olhos, na tentativa, e enxergo estrelas que querem ser vistas, mas ficam vermelhas com o irracional medo do que ainda não aconteceu. Se me lambuzo no veludo do céu, eu encontro palavras que me abraçam nos sonhos e descrevem abstrações que o interrogativo tenta desviar. Eu me viro de lado e tento dormir.

Douglas Ibanez
(02.07.2016 - 2h38)


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sobre Sopros


Eu penso em qualquer coisa que me tire o sossego. Nenhum intervalo de tempo é garantia de que a alegria esteja na esquina. Entendo os passos dados com cautela, sem me importar muito com o que ainda estar por vir, mas eu me questiono e me encontro, fazendo o mesmo e o mesmo, de novo. São como perguntas de areia: eu sopro e elas partem para longe, sem me dizerem o destino, ou se voltam qualquer hora.

Douglas Ibanez
(25.06.2016 - 00h33)


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Desnuvem


E quando noto, me vejo desconcentrado e me percebo desmantelado em um pensamento perdido - daqueles que não entendo e me desconcentra mais um pouco. Me desmonto - como um boneco quebrado - ao desdobrar, em três lados, uma face que alguém já bateu. Me desconserto ao lembrar dos minutos que se passaram, eu não sou mais o que fui. Desfigurado é um pensamento sem nexo, que paira nas mentes que flutuam tardias. Não há significado. É tudo sem
coerência, sem coesão. Desconexo.

Douglas Ibanez
(13.07.2016 - 23h47)
Happy birthday, Doug!


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Breu


Eu estico meu braço, a procura de uma mão estendida. São duas da madrugada e eu aqui, tentando encontrar maneiras de escrever o que quer que me venha em mente. Minha televisão já desligou sozinha: o timer estava programado para 180 minutos. Escuridão. Minha cabeça está cheia de pensamentos, ou talvez hélio seja mais condizente com a realidade da coisa. Eu flutuo para uma outra hora, com perguntas que arranham minhas paredes e me deixam louco. Perdi meu mapa e não sei como desenhar outro; como eu disse, está escuro. E se busco conforto é pelo bem maior que estabeleço em mim mesmo. O diálogo acontece, mas eu só queria calar a boca.

Douglas Ibanez
(02.07.2016 - 2h32)


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O Sangue Inglês


Cada toque é uma gota de sangue em um rio seco, cheio de memórias de ninguém, que nunca aconteceram. Mas elas são inesquecíveis. E você precisa pagar o preço, por banhar-se em águas tocadas pelo o que não mais existe. Eu bebo do cálice que se quebrou em partilha: um pedaço de mundo para cada um. Que venham as dezenas de histórias que o povo repete e repele, ao mesmo tempo, uma ínfima parte da coerência que é o pensar. E as verdades continuam correndo, sem estrutura para observação, e enquanto corre, ela escorre, discorre e morre uma morte de um toque, que se apagou novamente.

Douglas Ibanez
(02.06.2016 - 0h13)