segunda-feira, 21 de março de 2011

Bárbaro e Violento

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Foi quando então me olhei no espelho e percebi o que havia feito.
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Eram seis da manhã e eu me sentia completamente revigorado em um desejo assassino de matá-la. Não me julgue, pois esse tipo de coisa me ocorre com frequência, pelo menos uma vez por semana quando estou de bom humor.
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Não que eu goste do que faço, mas necessito para que seja bem visto. Pois é, acredite, as pessoas gostam da morte, pelo menos desse tipo em especial, a qual eu considero a mais doentia. E digo isso por experiência, levando em consideração o que acabei de fazer.
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Confesso que gostava de sua imagem. Era séria enquanto madura, levemente atrante para o lado mais irresponsável de ser. Uma elegante morena marcante em minha vida mas que de acordo com a posição solar me seduzia, ligeiramente, sendo uma ruiva rara e de descrição selvagem.
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Eu a amava, mas a vontade de matá-la foi maior naquela manhã. Não havia outra maneira. Era minha obrigação. Peguei a arma do crime com pressa, não havia tempo, aquilo precisava ser feito de imediato. Já estava quase banhada por completa, minutos anteriores minhas próprias mãos lhe passaram o sabonete por todo o corpo delgado. Era o momento, o único.
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Cortei em primeiro instante, esperando por uma dor que não veio. Ela me olhou incrédula. Uma segunda vez mais profunda e o sangue brotou de dentro. O trabalho havia começado, meus olhos injetados alcançando a loucura do espasmo máximo do possível. Era terrível. Era delicioso.
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Ópera em meus ouvidos. O sangue espirrava pelo banheiro. Lentamente eu ouvia seus gritos mudos se desfarelando pelo resto de vida que ainda tinha. Eu a matava. Ela clamava por misericórdia. Sorri. Cortei. E o sangue mais uma vez lavou minha alma cheia de necessidades mortais.
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Um último olhar ao deixado para trás e ela se foi. Consegui ver seus restos ao meu redor. Foi doente, foi monstruoso. E o reflexo refletia minha verdadeira face, muito mais bela após a carnificina. Mais jovem, mais experiente e por completo mais assustador.
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Foi quando então me olhei no espelho e percebi o que havia feito. Um corte e uma gota de sangue, apenas uma consequência de um barbear tão se jeito.
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Douglas Ibanez
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6 comentários:

Kézia Lôbo disse...

Uau macabro no inicio e final bem surpreendente.. adoreiiii!!!
Demais .. até me saiu o riso haha

Júlia disse...

Douglas! Que texto de psicopata ;x
Confesso que fiquei com muito medo!

Beijo =*

Douglas disse...

Kézia.. HAHAHA
Esse é o objetivo!
Que bom que gostou ^^

Douglas disse...

Júlia, não fique com medo, isso é apenas o que geralmente acontece comigo quando eu vou fazer a barba.. HAHAHA

Bjo

Déia disse...

Cheguei a ficar com medo, confesso!

bj

Rosana Ibanez disse...

Adorei!! As vezes até consigo ouvir os gritos saindo do banheiro e chego a ter pena da sua barba. tadinha...
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Muito bom, parabéns.
Bjs