domingo, 29 de março de 2009

Pensamento













Escrevi um poema para você
um poema sem mim.
Onde há um começo
um meio
e um desconhecido fim.

Douglas Ibanez

quinta-feira, 26 de março de 2009

Uma Vida Assistida

Eu sou o espectador do meu próprio eu.
Sou aquele que enxerga

além de minha pele elástica
e de minha carne dura,
funcionando radioativamente
para encontrar o escondido.

Sou meu psicólogo,
minha cartomante,
sou o jornalista que me informa e me conta
o que há dentro de mim.

As vezes me espanto
como pode uma vida
ser assim tão assistida?
Então percebo
estou assistindo-a novamente.

Existem dois de mim neste momento,
aquele que pensa no escrito
e o torna real
e aquele que olha e julga
o quão real se tornou tal pensamento
flutuante e enevoado.

A razão controla a emoção.
O sentimento controla o que é correto.
E assim as duas vivem

parasitando uma a outra
chorando a separação
não entendendo a unificação.

Douglas Ibanez

quinta-feira, 19 de março de 2009

Girassol










O Belo jardim amanhece
e ao longo do dia se entristece.
A Inveja toma conta da alma,
invade e obscurece
desde a mais bela rosa
até o mais enrugado cravo.
Tudo parece ser desejado,
mas apenas pouco é invejado,
somente aquilo que todos buscam,
e que nunca é encontrado,
pois não conseguem olhar ao seu redor,
como faz o Girassol
que gira, gira e gira
em busca da luz que lhe ilumina
e quando consegue enxergá-la
pede com humildade e fé
que possa seguí-la.

Douglas Ibanez

quarta-feira, 18 de março de 2009

Mulher


Nem todo homem é poeta, mas toda mulher tem sua poesia.

domingo, 15 de março de 2009

O Medo











Minha vida é
o constante medo de viver.
Medo de acertar.
Medo de não estar
de sentí-lo
de cheirá-lo.
Medo de degustar o gosto do medo.
Medo de se afogar
nos prazeres medonhos do medo.
Medo de tê-lo.
Medo de querê-lo.
Medo do medo.
O medo.


Douglas Ibanez

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Flor Negra













Cadê?
Onde está o vermelho?
O Carmim?
A Flor morreu,
foi morta,
cortada,
quebrada,
e sua cor,
aquilo que de mais belo tinha,
sangrou
e apenas o negro do luto
continuou...


CABEÇA ANUVIADA













Como eu queria...
adoraria ver corvos saindo de minha cabeça
e vê-los dançar em meus cabelos...
talvez toda aquela negritude iria embora
tudo aquilo que pensei, não penserei mais
ou então alguma pena ou algum ovo continue..
e faça brotar lá dentro tudo o que já voou...
mas pelo menos a lembrança ficou,
para que eu posa dizer que,
pelo menos uma vez...
eu vi,
o vôo dos corvos...



Douglas Ibanez

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

As Vezes

Sinto saudade
do branco inexistente
estampado em cada sorriso
em cada rosto lavado
pelas águas de manhã.

Sinto saudade
do preto leitoso do luto
no qual cada um de nós
usamos todas as noites
como uma manta
esperando..
esperando..
esperando....

Sinto saudade
de olhar para frente
e ver nada mais além
do que apenas o desconhecido
o horizonte perdido
aquilo que meus olhos não podem ver
mas que minha alma
pode inventar.

Sinto saudade
do choro noturno
do cão sem dono
que uiva todas as noites
pedindo abrigo do frio
da chuva
do trovão e da trovoada
fugindo da solidão
tentando amizade
carinho
de tudo que é diferente dele
mas igual para ele...

Sinto saudade
de algo que não sei o que é
talvez nem sinta saudade
talvez sinta saudade da saudade
talvez eu tenha inventado tudo
o sofrimento inexistente que existe.

Sinto saudade
de mim
de você
de coisas
das lembranças que fazem ela vir
a saudade...
que saudade?

Talvez um dia
eu descubra...
Douglas Ibanez