terça-feira, 14 de abril de 2015

Lavado


Eu só preciso de um banho.
Água quente em cabeça fria.
Estado de glória sem alegria.
Um tiro molhado, pingando na mente.
Me soa selvagem,
Mergulha latente.
Tristeza atraente do meu dia a dia.
Olho o relógio,
Já passou a euforia.
Me deito na cama buscando a viagem,
Estou atado. Sem quem me ama.
Preciso de um ganho,
Pressinto um presságio.
Mais um estágio!
Da vida que se deita,
Em mais uma noite tardia.

Douglas Ibanez
(03.04.2015 - 00h02)



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Invisibilidade


Tenho a qualidade de saber ser invisível. Quando quero, quando preciso. Bloqueio os sentidos, enquanto aqueço os meus instintos. Busco na ancestralidade um poder que me envolve. Preenche o espaço observado por lobos perdidos. Olhos famintos, em alta temporada de caça ao outro.

Em meu sorriso o seu reflexo, que te encanta no mais narcisista sentimento de comprometimento consigo mesmo. Uma armadilha que te aflora. Me apaga. Me devora. Caminho em meio às pessoas, por suas sombras aumentadas. Crescidas e egocêntricas. Com hipermetropia acumulada.

Encontro o céu que quero ver. Dou meia volta no mundo inteiro. As ruas são silenciosas, quando a inflação deseja o outro. O sol não consegue tocar a terra, que seca sem sua vitamina D. Me esgueirando pela realidade, a surdez não me atinge e a cegueira me conduz.

Onde estou? Você não sabe. Quem sou eu? Menos ainda. Com meu dom sou invisível. Invencível! Protegido do total foco de luz. Sem palmas, por favor.

Douglas Ibanez
(12.03.2015 - 23h31)


sexta-feira, 20 de março de 2015

Pós-Parto

Sinto uma tristeza que me conforta.
Um embalo noturno no colo de mãe.
Me inspiro no cheiro,
No gosto profundo.
Bebo do seio que um dia se foi.

Escrevo uma vida a partir de migalhas.
Não são minhas verdades que contam até três.
São palavras distintas que brotam,
Se matam.
Me encontram na estrada sem saber meus porquês.

Douglas Ibanez
(12.03.2015 - 23h58)

quinta-feira, 12 de março de 2015

Dançando


Aprendi com a dança a ter asas nos pés.
Cada movimento é uma graça divina,
Uma cantoria de palmas que ninguém vê.
É a alegria dos anjos naquilo que crê.

Giro em penas brancas que nascem tortas.
A luz me atinge em pequenos segundos,
De um contratempo inspirado no refletido mundo,
Que me faz voar em melodias do além.

Douglas Ibanez
(04.03.2015 - 12h59)









quarta-feira, 4 de março de 2015

Portfólio de Elefante


Enxergo agora a necessidade de proteger cada memória que um dia se desenvolveu. Pequenas notas de rodapé, ajoelhadas em frente ao longo texto que seguiu em frente. Um livro sendo escrito em páginas apressadas, que quando soltas transformam desenhos em animações, em um roteiro de suas próprias palavras sortidas. Letras caem. Pulam linha a fora. O clichê não para: o que passou, passou.

Mas tentam tomar o que correu no rio. Águas escuras, pontilhadas de estrelas que se revoltam e nadam no sentido contrário. Um cobertor obscuro de um Setembro falante. Fotografias molhadas perambulam à luz de velas, narrando histórias que se afogaram correnteza a dentro. São crianças sorrindo do preto e branco da alma, brincando com o sépia do tempo. Meu caro, este é o maior desafio do colorido da vida. Repentino, no melhor estilo Polaroid de ser.

Preciso salvar meu aconchego. Transformar o leito em poeira de cima do armário, soprada para longe em uma história em quadrinhos. Sou elefante galante, com resquícios que ninguém vai tirar. Mediunidade elegante, de sutileza marcante, que ninguém deve enxergar. Me lembro de tudo que já senti e das margens que já molhei. Não há espaços para mentiras, de sua terra que jamais toquei.

Douglas Ibanez
(03.03.2015 - 19h48)



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Cantiga de Ninar


E a chuva molha a poesia.
Um velar do sono que não dormiu.
São gotas vidradas de um vento raivoso, que já partiu.
Quebra o desejo de sonhos leves,
Sopra para depois o que se feriu.

Chove lá fora.
Chove aqui dentro.
Segue chovendo o azul anil.


Douglas Ibanez
(12.02.2015 - 12h57)



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Polpe-me


Eu sou do tipo maduro,
Que nem manga amarela.
Broto no alto, perto do céu.
Dispenso as verdinhas. Azedas.
Cheias de frescuras e acidez.

Mas tenho tempo durável,
Por isso aproveite! Enquanto sou amável.
Suba às alturas e me pegue jeitoso.
Me corte, divida. Deguste meu gosto.
Sou doce do tempo. Saboroso.

Caso contrário, me solto de ti.
Perco as estribeiras, caio para o chão.
Viro adubo na terra. Nasço outra vez,
Em outros pomares, tomares e amares.
E você verde de coração.

Douglas Ibanez
(11.11.2015 - 17h54)